30 dicas para escrever bem...
Pensamentos: se a gente não cerceia, se despenteia.
Uma história sobre prudência, conhecimento e cerveja.
“O cara que deu nome pra ‘filosofia’
ou era um irônico ou não sabia de nada.
É impossível ser amigo dela!
Contra ela travamos severas batalhas”
A PRUDÊNCIA
A prudência é uma espécie de ‘camada de ozônio’ e filtra algumas de nossas animosidades. Ela foi criada por Adão e Eva, assim que eles foram ‘expulsos’ do Jardim (desde o início a dor é a melhor escola...). Antes de Eva comer o fruto da ‘árvore do conhecimento’ não existia prudência. Não existia a consciência do castigo. Por isso mesmo foi o livre arbítrio mais puro da história desse mundão.
A partir da existência da prudência o livre arbítrio passa a não ser ‘tão’ livre mais. Não sei se isso ameniza ou complica mais as coisas. Mas é assim.
Acontece que o álcool faz buracos na ‘camada de prudência’ da gente, que passa a não filtrar os pensamentos que a gente nem sabia que guardava na cachola. Primeiro porque ninguém pára pra definir e decorar suas idéias e ideologias de forma a ficar isento de incoerências e desdizeres. (Tá, talvez alguém faça isso, mas deve ser um chato de galocha e isso não vem ao caso.) Segundo porque o mundo é muito complicado mesmo.
O fato é que sem o filtro da prudência as pessoas se revelam. Os mais brucutus quebram tudo. Os mais chatos sobem na mesa, fazem discurso, aquela coisa toda. Tem gente que chora as mágoas. E você deve conhecer outros muitos tipos estranhos por aí.
Egoísmos, narcisismos, inseguranças, preconceitos e, principalmente, incoerências se revelam nesta hora.
Há quem possa dizer: “Então somos todos uns hipócritas? Escondemos o que realmente somos?” Mas eu digo que não. O hipócrita verdadeiro é aquele que maquia seus defeitos, escondendo lobos em pele de cordeiro. Essa prudência que carregamos em horário comercial é simplesmente o que torna viável o convívio em sociedade e evita uma quebradeira danada. Isso não é hipocrisia!
Digo mais: a prudência que aprendemos quando fomos expulsos do paraíso não esconde nem maquia nossos defeitos, mas os mortifica, lapidando nosso caráter. A prudência faz o preconceituoso aceitar o outro. O egoísta doar. O mesquinho dividir. O narcisista se achar meio feio e o feio ficar cheio de auto-estima. A prudência tem nos mantido vivos desde que roubamos a tal ‘árvore do conhecimento’.
Como eu já desconfiava, o conhecimento NÃO move o mundo. Sem ele, o mundo continuaria girando. Fôssemos macacos, o mundo ainda seria mundo. E, fôssemos macacos, talvez seríamos mais felizes em nossa ignorância, pois a ignorância torna a felicidade mais acessível. Um exemplo disso (e é só um exemplo porque toda generalização é burra) é a facilidade de encontrar pessoas felizes numa roda de samba que não conhece partituras e nomes de acordes do que num congresso internacional sobre a influência barroca na música erudita da sociedade ocidental.
Eu sei: você entende bem o que eu quero dizer e sabe exemplos melhores que o meu.
Então: qual a ‘busca’ mais importante que temos na vida: a felicidade ou o conhecimento? Cada um que abasteça seu alforje e persiga o que quiser.
A grande merda é que não dá pra desmorder a maçã. Não tem volta. Não estou dizendo que o conhecimento seja ruim ou desnecessário. Ele só complica demais as coisas. Deus, que é pai, não queria que a gente comesse dessa fruta, mas não era porque estava com medo de que o abandonássemos. (O que de fato acontece: quanto mais conhecimento, mais longe ‘pensamos’ estar de Deus.). Deus, como pai, simplesmente nos queria evitar o sofrimento. Todo pai quer evitar o sofrimento do filho. Mas não pode impedir isso.
E como não tem volta, depois de mordida a fruta, Deus nos envia a continuar buscando esse conhecimento. Isso é penoso. Destrutivo. Auto-destrutivo até. Quase sempre. E o ‘filtro da prudência’ nos protege dos raios mais fortes, os ultravioleta da incoerência. E da desordem. O conhecimento, além de não mover o mundo, por si só o tornaria inviável. Impraticável. A prudência torna o mundo possível.
Porque essa maçã é muito grandona. Imensa. Seu sabor verdadeiro é desconhecido. E a gente não conhece de verdade aquilo que não sabe o gosto. (Curiosamente a etimologia diz que sabor e saber são palavras irmãs.)
Isso dá uma agonia danada. Por isso que, de vez em quando, a gente precisa ‘pichar uns muros’. Furar a camada da prudência. De preferência fora do horário comercial. E a cerveja, por linhas tortas ou retas, ajuda um bocadinho nisso. Ajuda a revelar as incoerências e mesquinharias de nossa mente perdida. (Mas é recomendável não quebrar tudo ou subir na mesa para discursos.)
E a ressaca nos faz repensar essas incoerências e nos tornar pessoas melhores. Como se a mesa do boteco fosse um confessionário e a ressaca, a justa penitência. Não, longe daqui querer fundar uma nova religião. Só estou aproveitando para falar besteira enquanto a camada da prudência ainda não se restabeleceu.
ENFIM
Se isso virar hábito, escrevo um livro em uma semana. De qualidade duvidosa, eu sei. Mas grande.
Réquiem dos Pequenos, Versículo V
Réquiem dos Pequenos (na terceirona)
Mais uma rodada por minha conta!?


Réquiem dos Pequenos, Versículo III

Coisas Nº 1

Essa rodada por minha conta...



MC d AA p CI Nº 8 - O Pobrema II - O dos otro

Já estudamos na lição número dois deste manual a melhor maneira de prosear sobre os problemas próprios. Depois, na lição número seis, estudamos sobre como falar mal dos outros, ou seja, como falar dos problemas dos outros pelas costas. Agora, não com menos saliência, veremos a delicada maneira de versar sobre os problemas dos outros com os próprios donos da lamúria.
Como sabemos, quem sabe faz e quem não sabe, ensina (e é justamente daí que vem minha autoridade para escrever este manual, mas isso não vem ao caso agora). Pessoas em geral, na CNTP, costumam ter soluções práticas e fáceis para todos os problemas do mundo. Na hora de oferecer alguns conselhos, cada um traz em si o dom de ser um expert em auto-ajuda, capaz de resumir em uma única frase a solução do problema alheio.
Parece fácil. Mas, como sempre, é preciso muito cuidado. Se diante da dificuldade vizinha, a principal coisa que tiver a dizer for “pense positivo”, guarde a pérola pra você. Uma pessoa envolta por problemas pode ter pequenos lapsos em sua boa educação e acabar mandando você pensar positivo em lugares bem distantes.
Mas a intenção de ajudar, ainda que com palavras ralas, não é de todo ruim. Pior mesmo é a aproximação dos problemas alheios por simples curiosidade. Pessoas que carregam este modo de sarcasmo costumam dizer coisas do tipo: “fica triste não, tem muita gente no mundo muito pior do que você”. Se você quiser mesmo parecer uma pessoa simpática, nunca diga nada semelhante a isso.
Notas Baixas Nº 1


Melhor futebol do mundo
Foi sem querer...
Cachorrada
E ainda insistem em dizer que o mundo acaba em aquecimento global...
MC d AA p CI Nº 7 - A Especialidade

Tempo desses atrás, o pessoal andava meio maniado com esse negócio de especializações. Argumentando que esse mundão é muito cheio de variedade, resolveram simplificar e saíram com a máxima – ou seria mínima? – de que se o cidadão soubesse muito de um assunto só já estaria habilitado a sobreviver por aí. Foi a maior fabricação de gente bitolada e chata que se tem conhecimento na história da humanidade.
Réquiem dos Pequenos, Versículo II
"E foste um difícil começo Afasto o que não conheço E quem vem de outro sonho Feliz de cidade Aprende de pressa a chamar-te De realidade Porque és o avesso Do avesso, do avesso, do avesso..."
Cegueiras

[pé na bola] Esse pessoal é tão bom de bola que virou caso de polícia


Réquiem dos Pequenos - Versículo I
Enquete encerrada. Dramático empate...

Homem

Verde abunda a grama do vizinho
A Verde Grama que do Vizinho Abunda
Essa gente que a gente vê por aí - Parte II

Culta é aquela pessoa que, além de receber a instrução, busca um pouco mais. Inclusive lê manuais de instrução. Antigamente tinha a Barsa em casa, hoje usa o Google com muita freqüência. Do assunto que lhe interessa, sabe. E isso não é pouco, não! Tem uma curiosidade sadia. (Leia sobre a curiosidade ruim aqui.) O desenho que o representa é o da pessoa lendo justamente por isso. É capaz de dar uma boa aula, sem dúvida. Mas não necessariamente são pessoas realmente inteligentes.
Porque Inteligente é o instruído capaz de adaptar uma regra a situações diferentes ou o culto capaz de associar conhecimentos diferentes para descobrir uma coisa nova. Ou ainda, aquele que, independente de ter recebido alguma instrução formal, é capaz de fazer conclusões. Por isso o desenho que o representa é o de um caipira que, ainda que não tenha passado pela escola, consegue, através de observação e raciocínio, viver com sabedoria.
Claro que você sabe que uma classificação como essa enfatiza os extremos e pessoas de verdade estão em algum lugar entre os extremos. E o porquê dessa diferenciação você acompanha em um próximo post, em breve, neste mesmo local.
MC d AA p CI Nº 6 - O Comentário

Este manual não é dirigido apenas aos sem-assuntos em geral, mas também a todos os muitos que falam demais. Porque, como dizem as leis de probabilidades e estatísticas, quanto mais se fala, maior a chance de falar uma besteira que não devia. É preciso zelo e cuidado. Principalmente quando se vai comentar a vida alheia. Digo comentar porque sei que você, leitor assíduo do cotidiano, não é de sair fazendo fofoca por aí. Ou é?
De qualquer forma, a regra número um seria não dizer nada sobre um pessoa quando ela está longe que você não poderia dizer se ela estivesse perto. Simples. Nada que você não soubesse, claro. Mas o mundo não há de ser um lugar muito quietinho se as pessoas obedecerem isso?
Pois é. Mas já que é inevitável, que pelo menos acrescentemos alguma coisa a esses colóquios menos nobres. Repito aqui os três (sempre três!) “filtros” ensinados pelo Sócrates. O filósofo, não o doutor, claro.
A primeira coisa a se saber é: seu comentário é verdade? Você garante mesmo que a novidade que tem a dizer é de boa fonte. Não corre o risco de ficar como mentiroso depois. Isso é feio, você sabe. Na dúvida, cala a boca e ouve.
Mas ainda que seja verdade, se pergunte: é bom o que você tem a dizer? Porque a gente deve espalhar notícia boa. Exaltar as pessoas que são porreta mesmo e deixar de lado as que deixam a desejar. É possível?
Eu sei que não. Gente boa anda meio em falta nesse mundo. Se Sócrates se preocupava com isso 500 anos antes de Cristo, imagina a bagunça hoje com internet, celular e televisão. E sua língua até coça com vontade de falar. É difícil. Mas pensa ainda uma última vez: pelo menos é útil esse diabo dessa coisa que você tem pra dizer?! O erro, o desajeito, a vergonha de outra pessoa vai servir de conselho ou consolo para alguém? Então pode dizer. Mas sem muita empolgação senão vira sarcasmo.
El Kabong
Agora me lembro. Eu estava pensando nele antes de cair da bicicleta: El Kabong. Pior que é verdade.
Que se dane o José?!
Essa gente que a gente vê por aí

Desde então, mais de cinco ano passados, venho procurado deferençar tudo. Normalmente separando de três em três que é pra não virar bagunça. Por exemplo, no que se trata das ‘sabedorias em geral’, as pessoas estão em um destes 3 grupos: instruídas, cultas ou inteligentes.
Qual das figurinhas abaixo se enquadra em cada grupo. Aguardo respostas.
MC d AA p CI Nº 5 - A Novela

Um dos temas mais fáceis para o assuntamento diário, sem dúvida nenhuma, é a novela. Se você é um sem-assunto crônico e não gosta de futebol, sua iniciação aos colóquios informais deve se dar através das novelas. Aliás, o que facilita ainda mais é que, se você é um sem-assunto crônico que não gosta de futebol, com certeza assiste novela e vai poder levar uma conversa adiante.
Não há quem não leve adiante uma conversa sobre novela. O que você precisa é classificar o seu interlocutor para adequar o discurso. Em relação a novelas, as pessoas normais se dividem em três grupos: as que assumem isso abertamente, as que não assumem e as que dizem preferir as novelas do SBT.
Com todas elas você pode conversar sobre a novela das oito. Sem problemas. Vão saber sobre tudo. O que pode acontecer é as pessoas do tipo dois, depois de falar sobre o capítulo anterior, criticarem o autor ou atores. Não contrarie. Se pertinente, critique também. Só pra deixar o assunto fluir.
Já com as pessoas que não têm problemas com novelas, sinta-se livre pra xingar os malvados e desejar-lhes todo mal no último capítulo. Mas não exagere em elogiar demais os bonzinhos. Pode pegar mal.
O cuidado maior deve ser com aqueles que preferem as novelas alternativas. A não ser que você também assista, dê um leve sorrisinho. Se disserem que as do SBT têm mais história, fique alerta. Caso insistam falando que as outras são muito previsíveis, desista da conversa porque desse mato não sai cachorro.
Há um outro detalhe um pouco mais técnico e que veremos mais detalhadamente quando falarmos sobre filmes, mas é bom já ir trabalhando: O in e out. O in é quando a conversa sai mais natural e você discute a história, os personagens, xinga, chora, se surpreende, mas sem exageros pra não virar bichice. O out é mais cult, se é que você understand. Já é aquele papo sobre atores, diretores, cenografia, continuísmo e essas coisas que se critica, fala mal, reclama. Mas sem choros.
É praticamente impossível você se dar bem nos dois lados. Enquadre-se. Mas sem exageros. Pra não prolongar demais a conversa. Senão você perde a hora da novela.
Recapitulado. . .

[cotidiano] - Pergunte ao Leitor Nº 3 - O Cachorro

[passeio público] - por onde anda...


[pé na bola] Zico
Essa semana eu não me habilito a comentar a rodada do brasileirão. O Flamengo passou o jogo inteiro sem dar um chute a gol direito! Então, a gente mata a saudade com este vídeo, enviado pelo Anderson, o cruzeirense mais flamenguista que já vi...
[atchim nº 3] Nas ruas
MC d AA p CI Nº 4 - A Bóia

Um dos principais temas sobre o qual a prática é bem mais saborosa do que a conversa, sem dúvida nenhuma, é a comida. Alimentar-se está longe de ser simplesmente uma necessidade, mas é uma diversão, um prazer e por que não dizer: a melhor hora do dia. E por ser tão bom é que vira assunto fácil em qualquer lugar.
Mas, como sempre também, o mundo moderno vem desvirtuando a prosa. Bons tempos aqueles em que as tias e avós se reuniam na cozinha fazendo as quitandas e doces e pães de queijo...êta, fome! Ficavam elas lá nas suas fofocas amenas e a única recomendação maior a seguir era não falar de boca cheia. Hoje as recomendações são muitas e por isso foi preciso tecer este manual.
Vamos começar pelas calorias. Se você quer mesmo assuntar simpaticamente por aí, esqueça de vez as calorias. Definitivamente, contar calorias não ajuda ninguém a emagrecer e conversar sobre calorias, pior, dá uma ansiedade tremenda e faz engordar. Mude o assunto. Fale sobre o sabor.
Se por acaso não entender nada sobre amargos e agridoces, experimente só criticar o exagero ou falta do sal ou do açúcar. Mas, a menos que seu interlocutor tenha um papel e caneta na mão, evite também dar receitas. Ninguém guarda de cabeça a tal da meia xícara de chá de sei lá o quê? Mas como é que faz chá de maisena?
Conte onde e com quem comeu nas suas férias em 1997 (eu disse com). Diga onde comprou aquele tempero maravilhouso ou o boteco que fez a pior picanha da sua vida. São informações úteis. Reparta.
Mas, por favor, mantenha os aspargos, alcaparras, manjericões e assemelhados longe de conversas informais. Dê preferência ao tutu com torresmo, à feijoada (ô, saudade!), ao churrasco duro no fundo do quintal e essas coisas que ajunta gente ao invés de separar.
E, por fim, essencial é o elogio. Não tenha vergonha nunca de dizer para quem fez que estava bom o que realmente estava. E se não tiver, mude de assunto. Comente o futebol, o frio ou aquela revista bacana que você recebeu, que tem uma gata na capa.
MC d AA p CI Nº 3 - O Futebol

O terceiro assunto ameno para nossos colóquios cotidianos é o que traz mais desavenças quando mal conversado. Talvez um dos temas mais tratados em nosso país, o futebol tem a peculiaridade de ser uma conversa onde ninguém muda a opinião de ninguém. Porque existe argumento pra tudo nesse mundo, mas não existe argumento que faça um torcedor mudar de time. A não ser que seja um torcedor muito fajuto. E torcedor fajuto não conta.
O primeiro ponto que você precisa saber sobre conversas sobre futebol é o seguinte: seu time é o melhor do mundo. Sempre. Se perder jogando bem, perdeu com estilo e ganhar todas é meio chato. Se ganhar jogando mal, valem os três pontos, bola na rede e ponto final. Se ganhar com roubo do juiz, você não tem culpa, pode comemorar e, se perder roubado, mande o desgraçado do juiz para o quinto dos infernos ou qualquer lugar daquela redondeza.
Mas não se esqueça que tudo isso também vale pro torcedor do time adversário, o que dificulta, e muito, o andamento de qualquer conversa. Portanto, os diálogos sobre futebol devem versar em outros pontos, menos perigosos à saúde pública. Por exemplo, a importância tática do volante de contenção, assunto que rende pelo menos até o tira-gosto chegar na mesa.
Outra peculiaridade sobre o futebol é que sua prática pode ser tão boa e divertida quanto a conversa sobre o assunto, o que invariavelmente não acontece com outros assuntos, ora cá, ora lá. E uma das melhores coisas que pode existir nesse mundo é conversar sobre futebol depois de jogar futebol, de preferência contando sobre os gols e maravilhas que fez com a bola. Coisa que ninguém mais no jogo viu, mas que você lembra com riqueza de detalhes.
Mas isso não é pra todos, a gente bem sabe. É nessa que entra o mais importante sobre o futebol: a memória. Quem não ganha um campeonato brasileiro há 15 anos sabe bem do que eu estou falando. Memória é fundamental. Não precisa ser graduado em escalações de todos os times e todas as copas. Basta uma boa história pra lembrar. Um título, um gol. Isso contagia e faz com seus interlocutores lembrem também de outras histórias e, a partir daí, a conversa não tem mais hora pra acabar.
Para a hora de assistir o fubebol não é necessária a leitura deste manual para desenvolver uma boa conversa. Simplesmente acompanhe os lances e teça comentários relevantes. Na falta deles, limite-se ao “ulha”. Mas nunca diga um “ulha” sem a devida convicção.
Para os que não gostam de futebol, recomendo o crochê.
VALEU RONALDINHO!!! OBRIGADO KAKÁ!!!
MC d AA p CI Nº 2- Os pobrema

O número dois dos assuntos amenos não é tão ameno assim. No mais das vezes, bem poderia ser evitado em situações corriqueiras e informais. Final de contas, ouvidos alheios carregam já seus próprios problemas. Mas, diante de sua inevitabilidade cotidiana e cultural, pelo menos aprendamos alguns desconfiômetros básicos.
Como vimos na lição anterior, nossa privacidade não deve invadir o constrangimento de ninguém. Este é um ponto que vamos martelar durante todo o aprendizado. E pobremas de qualquer natureza são muito privatizados e nada, nada públicos.
- os pobrema de dinhero;
- os pobrema de saúde e
- os pobrema de família.
Leis & Pizzas
MC d AA p CI Nº 1- O tempo

A situação é típica, quase banal, mas não menos carregada de complexidades. Você está ali com o fulano. Não é bem um amigo, talvez nem se lembre do nome dele ou dela. No máximo, é um conhecido seu, ou pior, conhecido de um amigo seu. Mas você tem que parecer educado. Não! Você é muito bem educado, mas tem medo de parecer que não é e então precisa puxar o assunto. Mas o quê? Claro. O tempo. Sempre ele. O ‘número um’ das conversas impessoais.
Mas o fato de ser o mais conversado não o torna simples. É preciso algum conhecimento prévio. Aliás, carrego minhas desconfianças de ser exatamente este o motivo de todo telejornal ter uma previsão do tempo: qualificar os nossos colóquios informais. Afinal, hoje em dia não basta apenas ficar no – perdoem o trocadilho – ‘chove não molha’ de dizer “está frio hoje”. A vida moderna pede mais.
Em um primeiro momento você pode levar a conversa para um lado mais técnico. Alguma previsão pro final de semana trará a atenção do seu interlocutor. Evite clichês como “faz calor dia de semana e chega sábado e chove”. Prefira algo mais decidido. Para isso é preciso um conhecimento básico de estações do ano e suas variações. Coisa que o pessoal mais novo vem perdendo a intimidade. É preciso estudar.
Coerência também é fundamental. Não dá pra ensaiar em casa um “acho que vai chover”, sem ao menos dar uma olhadinha na janela pra ver se coincide. Mas se você quiser realmente parecer simpático vai precisar de bem mais do que isso. Citar algo sobre a umidade relativa do ar seria tiro certo. Nem precisa de nada muito sofisticado. Basta um “esse ar seco é péssimo pra minha rinite” e a pessoa já vai saber que você leva a conversa a sério. Usar o pronome possessivo antes de uma doença traz ao diálogo um ar de proximidade quase inigualável. Mas este é um tema que abordaremos mais adiante em nosso manual.
Aliás, em colóquios sobre o tempo, falar da intimidade só é recomendado após sete ou oito frases. Antes disso pode parecer que sua privacidade está invadindo a pessoa. E não se invade qualquer pessoa em encontros informais por aí. Que isso fique claro.
Em suma, atentos ao céu e aos telejornais estaremos aptos para conversar sobre o tempo. Na dúvida, contenha-se em um “bom dia” e mantenha a boca fechada. Antes a pessoa pensar que você não é muito simpático do que ter certeza.
Coitadinha da Valentina

Ninguém por aqui joga impressos em via pública. A papelada que a gente compra vem de madeira de reflorestamento. Venho trabalhar a pé e o Gustavo vem de bicicleta só pra não emitir gás carbônico no mundo. Se procurar em casa deve achar o uniforme de escoteiro guardado lá. Digo isso pra deixar claro que não tenho nada contra meio ambiente e natureza e, inclusive, nunca gostei de passarinho em gaiola.
Mas essa mania de ecologia que tomou conta da televisão este ano vem desvirtuar isso tudo. O Pedantismo e chatice que tratam esses assuntos sérios, no máximo, vão fazer com que a Valentina cresça com uma vontade danada de jogar papel de bala na rua, pisar nas margaridas do jardim e dar uma descarga bem demorada na privada.
É. . .
Por onde anda o Atchim Nº 3?

Calvin

O Céu... Pode Esperar.

O José Afonso era uma homem bom. Tão bom que até incomodava de vez em quando. As pessoas ficam meio desconfortáveis perto de quem faz as coisas muito certas. E o José Afonso era do tipo que dobra o pijama quando acorda. E guarda. Mesmo depois de quarenta e cinco anos de casados, a Dona Quitinha ainda não tinha se acostumado com isso.
Certa vez, quase chegaram a discutir por causa dele nunca ter se atrasado um diazinho sequer depois do serviço. Não discutiram porque o José Afonso não é do tipo que discute com a mulher.
A única coisa que tirava o homem do sério era o truco. Aí ninguém podia com ele. Tinha carta na manga até quando jogava sem camisa e blefava melhor que pão-duro pedindo orçamento. Não havia quem ganhasse do José Afonso no truco. Não importava o adversário nem o parceiro. Ele sempre ganhava.
O José Afonso pedia nota fiscal em padaria pra não dever nada nem pro governo, mas era o maior ladrão da cidade quando o negócio era baralho. Jamais apostou um centavo. Gostava era do prazer de ganhar.
Mas, como acontece com todo mundo que vive nesse mundo de nosso Deus, um dia o José Afonso bateu a botas. Dormiu e quando acordou já estava lá em cima, esperando na fila do São Pedro. Entrou sem nenhuma restrição. Era cedo ainda, e pôde tomar café com uns amigos velhos e pôr os assuntos em dia.
Passou o dia sendo apresentado aos chefes de departamento e conhecendo as regras da casa. Coisas como dormir cedo e não interferir nos assuntos lá de baixo, ainda que o Flamengo passeie pela zona de rebaixamento. Depois do almoço, já tinha escolhido qual era a melhor sombra pra esperar a Dona Quitinha chegar.
Lá pelas seis, quando o movimento na portaria ficou mais tranqüilo, o São Pedro veio puxar prosa e convidou o José Afonso pra uma partidinha de truco. Nem acreditou. E Pode? Ele estava mesmo no céu!
O São Pedro deixou ele dar as cartas. O José Afonso embaralhou pensativo e foi pro jogo. Não ganhou uma. Cadê coragem pro blefe ou uma cartinha na manga? Mas o São Pedro adorou a companhia e deixou reservadas as suas seis horas da tarde para o truco com o José Afonso por toooda a eternidade.
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