De novo...
Pergunte ao Leitor - Questão Nº 2: A Nata
Valeu, Mengo!
Torcida do Flamengo dá show no Maracanã
As Meninas do Cine Rio Branco - (parte 1/3)
Aqui no blog só a primeira parte... vale a pena buscar o restante.
Boas Notícias - Cold facts
Sobre culpas e traumas....
Aconteceu que eu tinha ganhado, no dia anterior, um lápis dos “Comandos em Ação” e, de repente, ele estava na carteira do colega do lado. Eu ainda tentei avisar que era meu e ele disse que não e ainda por cima tinha um cúmplice pra dizer que foi junto com a mãe dele comprar. Uma confusão danada. Bem no dia em que a professora titular tinha ficado doente. Rapaz, mas a substituta me xingou tanto... Não lembro de nenhuma palavra, nem sequer o nome dela, mas a cena dela gritando na minha frente jamais apagou da minha cabeça.
Desde então, todos os meus problemas, dos pequenos traumas psicológicos às grandes questões existenciais, têm ela como única culpada. Ora, aos seis anos de idade ainda é muito cedo para se aprender sobre injustiças e ironias.
Injustiça eu só deveria ter aprendido na feira de ciências da sexta série quando preparamos um vulcão que soltava lavas de sal de frutas Eno e anilina vermelha e mostramos a evolução do macaco virando gente com efeitos de uma lanterna dentro de uma caixa escura e quem ganhou o prêmio foi a filha do doutor que levou pelo terceiro ano consecutivo o vídeo emocionante de um parto ou qualquer coisa parecida.
E ironia é matéria que se aprende mais tarde ainda, na catequese, naquela parte que Jesus diz: “quem não tiver pecado, que atire a primeira pedra.” Pelo menos é uma ironia construtiva. Não com aquela cara de superioridade da professora substituta pra cima de mim, meio que rindo por eu estar chorando. Inesquecível.
No dia seguinte, substituíram a substituta. Não sei se meu lápis teve alguma coisa a ver com isso, mas o fato é que nunca mais vi a tal. Então, professora substituta do pré-primário, de onde você estiver... vá pro quinto dos infernos!!!
Pronto. Falei.
Quantos volts são necessários para acender uma idéia?
Fé...
Será que pega?
Pureza
- Esse moço aí tá na tua frente, dona Mercês.
- Moço, deixa eu ir primeiro... Aí, Josias, ele deixou. Sou eu a próxima. Me diz, Jusias, como eu faço pra sarar de... depressão?
- Esquece, Dona Mercês, pensa em coisa boa.
- Ahn... Esquecer? Se esquecer sara? Mas eu não consigo, Jusias. Tô morrendo de medo de morrer. Você tem medo de morrer, Jusias?
- De jeito nenhum.
- Mas você nunca fez coisa errada, Jusias?!
- Claro que fiz. A gente não pode é persistir no erro, Dona Mercês.
- Ahn... E Deus sabe tudo da vida da gente, Jusias?
- Tudo!
- Mas tudo mesmo?
- Claro.
- Sei... Ô, Jusias, faz dez anos que eu parei de fumar!
- Graças a Deus, Dona Mercês.
- Graças a Deus. Você sabe que o que acabou com o José foi o cigarro e a bebida, né, Jusias? O José bebia demais.
- Pois é.
- Por isso que ele me batia, né, Jusias? Era a bebida.
- A bebida, Dona Mercês.
(silêncio)
- Ô, Jusias, tô com um medão danado de morrer! Moço, você não tem medo de morrer, não, né? ... Aí, Jusias, o moço também não tem medo de morrer.
- Não precisa ter, Dona Mercês.
- É. Não precisa. A moça lá na igreja me disse que sem Jesus não tem jeito, Jusias!
- Não tem, Dona Mercês, não tem.
- A gente tem que ter Jesus no coração, né, Jusias?
- Claro.
- Mas me diz, Jusias: como eu faço pra sarar dessa depressão?
- Toma seu remedinho e esquece, Dona Mercês.
- Eu tomo remédio,mas não sou louca não, Jusias.
(silêncio)
- Jusias... Faz dez anos que eu parei de fumar!
- Graças a Deus, Dona Mercês.
- Graças a Deus, graças a Deus... Ô, moço, obrigada por ter me deixado passar na sua frente. Você não tá com pressa não, né? Acho que meu cabelo hoje vai demorar... Né, Jusias?
Busca
Ranking do Bolão
Participantes do Bolão




